Hipertermia Local

20 dez

(via DICAS PELUDAS by DENISE DECHEN on 12/20/12)

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Achei bastante interessante e divido com vocês este artigo postado pelo MV DrRafael Silva de Souza, no seu Blog, sobre pesquisa feita para tratamento da Esporotricose Felina por Hipertermia local.
HIPERTERMIA LOCAL EM UM FELINO COM ESPOROTRICOSE CUTÂNEA: RELATO DE CASO.

A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schencki. Nos felinos domésticos, essa doença se caracteriza pela presença de lesões cutâneas ulceradas e nodulares, localizadas principalmente nas extremidades, podendo apresentar caráter disseminado.

O tratamento da esporotricose felina é difícil e muitas vezes representa um desafio aos médicos veterinários, uma vez que a maioria das drogas antifúngicas utilizadas apresentam toxicidade hepática, além de um número limitado de agentes antifúngicos disponíveis no arsenal terapêutico. Os azólicos cetoconazol e itraconazol vêm sendo utilizados no tratamento da esporotricose felina ; o itraconazol é considerado atualmente o fármaco de escolha.

Em um estudo terapêutico sobre a esporotricose, em 266 gatos doentes, a cura clínica foi obtida em sessenta e oito pacientes (25,4%) e a duração do tratamento variou de 16 a 80 semanas (mediana = 36 semanas), sendo que os efeitos adversos mais comumente observados foram anorexia, vômito e diarreia.Entretanto, o número de abandonos e mortes por diferentes causas somou 69,7 %, explicitando o alto índice de não adesão ao tratamento, não permitindo a mensuração da eficácia de cada esquema utilizado.
Em humanos, a hipertermia local vem sendo utilizada como tratamento alternativo efetivo em alguns pacientes com lesões cutâneas ou linfocutâneas. Embora os mecanismos pelos quais o calor cause a regressão das lesões cutâneas de esporotricose sejam desconhecidos, estudos demonstraram que o desenvolvimento de todas as formas do S. schenckii decrescem quando aquecidas a temperaturas iguais ou superiores a 40°C.

Este estudo teve como objetivo relatar a cura clínica de um felino doméstico com esporotricose cutânea localizada, submetido somente ao tratamento de hipertermia local.

MATERIAL E MÉTODOS
Uma gata sem raça definida, pesando 3,0 kg, castrada, sete meses de idade, foi atendida no ambulatório do Serviço de Zoonoses do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) – FIOCRUZ, com suspeita de esporotricose.

Ao exame clínico foi constatada a presença de uma única lesão cutânea ulcerada, com bordos definidos, acometendo a região torácica lateral esquerda. Foi procedida a coleta de secreção da lesão para exame citopatológico e cultura micológica. As lâminas obtidas por impressão da lesão para exame citopatológico foram coradas pelo Giemsa. A cultura fúngica foi realizada através da semeadura do material coletado por meio de swab, em meio de ágar dextrose Sabouraud e ágar Mycobiotic (DIFCO), sendo o dimorfismo verificado pela conversão leveduriforme em meio de infusão de cérebro e coração (BHI).

A esporotricose foi confirmada pelo isolamento do fungo em cultura e o exame citopatológico revelou presença de estruturas leveduriformes compatíveis com Sporothrix schenckii. O animal foi submetido ao tratamento de hipertermia utilizando bolsa térmica, com temperatura variando em torno de 42 a 43°C, no local da lesão, duas vezes ao dia durante vinte minutos, por um período de três semanas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após três semanas de aplicação local de calor com bolsa térmica, a lesão cutânea encontrava-se totalmente
cicatrizada. O animal continuou em tratamento por mais três semanas, recebendo alta em seguida. Oito meses após, o gato permanece clinicamente curado.O tratamento da esporotricose felina é difícil, seja pela necessidade de um tratamento antifúngico regular e prolongado, pela dificuldade na administração de medicamentos por via oral ou pela falta de condições para manter os animais confinados durante o tratamento.
No caso relatado, a termoterapia possibilitou a cura clínica do animal e a redução do tempo de tratamento, mostrando ser um método não oneroso, prático e conveniente quando comparado ao tratamento sistêmico, facilitando a adesão do proprietário à terapêutica.
Através do resultado obtido foi possível concluir que, em felinos domésticos a hipertermia local pode ser uma opção terapêutica para pacientes cooperativos que apresentem esporotricose cutânea localizada.

As fotos não são do artigo, somente para ilustrar como são as lesões e a citologia.

esporo.jpg

Feline_sporotrichosis_4.jpg

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. RIPPON, J. Sporotrichosis. In: RIPPON, J. Medical Mycology – The pathogenic fungi and the pathogenic
actinomycetes. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1988, p. 325-352.

2. BARROS, M.B. et al. Clin Infect Dis, 38(4): 529-535, 2004.

3. SCHUBACH, T.M.P. Estudo clínico, laboratorial e epidemiológico da esporotricose felina na região
metropolitana do Rio de Janeiro. Instituto Oswaldo Cruz, 68p. (Tese de Doutorado), 2004.

4. WELSH, R.D. J Am Vet Med Assoc, 223(8): 1123-1126, 2003.

5. DUNSTAN R.W.; REIMANN K.A.; LANGHAM R.F. J Am Vet Med Assoc, 189(8): 880-883, 1986.

6. SYKES J.E. et al. J Am Vet Med Assoc, 218(9): 1440-1443, 2001.

7. KAUFFMAN, C. A. Clin Infect Dis, 21(4):981-985, 1995.

8. HIRUMA, M. et al. Mykosen, 30(7): 315-321, 1987.

9. HARUNA, K. et al. J Dermatol, 33(5): 364-367, 2006.

10. HIRUMA, M.; KAGAWA, S. Mycopathologia, 84(1): 21-30, 1983.

11. HIRUMA, M.; KAGAWA, S. Mycopathologia, 95(2): 93-100, 1986.

CARLA DE OLIVEIRA HONSE1; MAÍRA CRUZ DE HOLANDA CAVALCANTI2; VANESSA DUTRA MACHADO3; ALINE SILVA DE MATTOS4; SANDRO ANTÔNIO PEREIRA2; ISABELLA DIB FERREIRA GREMIÃO2

1Mestranda do curso de pós-graduação em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas – IPEC/FIOCRUZ (Bolsista FIOTEC) – Av. Brasil, 4365 –
Manguinhos, Rio de Janeiro – RJ – CEP: 21040-900 – Email: honse

2Médico (a) Veterinário (a) – Serviço de Zoonoses – IPEC/FIOCRUZ

3Bolsista PIBIC – FIOCRUZ/CNPq

4Graduanda em Medicina Veterinária – Universidade Federal Fluminsense – UFF

rafaelssmedvet @ssouzarafael (twitter).
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