Esporotricose em Gatos Domésticos: Não quero me desfazer do meu gato!

7 jul

via Medicina Veterinária para Gatos Domésticos / Veterinary Medicine For Domestic Cats de Carlos Gabriel Dias MV MSc PhD em 06/07/11

Já faz um tempo que a Esporotricose nos aborrece. Destrutiva e temperada para exibir resposta à medicação, a Esporotricose é de fato um problema para os gatos e, óbvio, para os gateiros. Já para começar, a pergunta imprescindível: tem cura? Sim, há cura! Mas, o fato de ser uma doença que pode ser transmitida para os humanos (zoonose) motiva atenção às autoridades públicas e, infelizmente e desnecessariamente, pânico entre os humanos. Atenção e cuidado sim, pânico não. Estão sempre presentes no universo digital comentários de gateiros ávidos por informações e respostas. Tenho que me desfazer do meu gato? O Veterinário do gato da minha vizinha sugeriu eutanásia, mas Veterinário do meu gato prescreveu uma medicação! Por que para umas pessoas é uma coisa e para outras é outra? Zoonoses requerem atenção profissional sempre e os Médicos Veterinários não são responsáveis apenas pela saúde do animal, são da nossa competência também as doenças que são transmitidas aos seres-humanos. Assim, é necessário alertá-los sobre o que significa uma zoonose. A Esporotricose não é a única doença que pode ser transmitida ao homem, outras doenças de gatos também são classificadas como zoonoses. Nenhuma zoonose pode ser considerada uma doença de pouca importância e informações são necessárias para evitá-las e tratá-las corretamente. No entanto, o que faz com que as informações sejam divulgadas de forma contraditórias é a forma com que esse contágio pode ou não ocorrer. Isso é algo importante é você deve prestar bastante atenção nisso! Toda zoonose é perigosa, mas existe condições que podem aumentar a possibilidade de um contágio acontecer. Por exemplo, condições precárias de higiene no ambiente onde o gato e o homem estão vivendo, capacidade de compreensão da importância dos cuidados e orientações fornecidas pelos profissionais aos responsáveis pelos gatos doentes, perfil clínico do responsável pelo gato (saúde e idade, por exemplo) e etc. Isso tudo parece muito obvio, mas muitas pessoas querem livrar-se dos gatos só de pensar em zoonoses outras não! As autoridades de saúde divulgam informações bastante importantes para a população, mas não pode divulgar informações individualizadas. A interpretação das informações é feita para cada responsável pelo animal, juntamente com Médico Veterinário de sua confiança. Assim, podemos ler que uma pessoa permitiu a eutanásia do seu gato, outra iniciou o tratamento e teve ou não sucesso. Outras chegam ao Clínico Veterinário apresentando as lesões, onde são encaminhadas aos seus médicos. Provavelmente, a polêmica em relação à Esporotricose e outras zoonoses têm origem nestes fatos. Uma pessoa que tem 30 gatos em casos, uma pessoa que tem um gato ou uma pessoa que tem uma doença imunossupressora vão receber, provavelmente, informações distintas.

Uma vez que o Brasil tem uma extensão territorial impressionantemente grande, as doenças exibem seus incômodos de formas e épocas distintas. Assim, observamos na internet sempre uma demanda de informações em um estado que foi tema de uma enxurrada de discussões em outro estado em períodos anteriores. Isso é bastante relevante para os gateiros porque as dúvidas podem ser as mesmas, mas representam também situações diferentes. Para deixar tudo mais claro: há alguns anos atrás, uma doença foi diagnóstica com maior frequência em um estado, atualmente outro estado começa a ter problemas com esta mesma doença. Apesar de ser a mesma doença, as problemáticas poderão ser distintas. Um bom exemplo é a resistência do agente causador da doença aos medicamentos que estão sendo usados em um estado ao contrario de outro que a questão é a forma de diagnosticar a doença. Nestes casos, trocar informações poderá ser interessante, mas devem ser cautelosas porque as formas de lidar com a doença poderão ser diferentes de estado para estado.

As lesões parecem ser características, mas não são. Um gato jovem, não castrado, que perambula pelo bairro a mercê da sua vontade e com uma lesão na pele pode ser um candidato forte a ter Esporotricose. No entanto, o diagnóstico deve ser realizado sempre porque muitas lesões podem assemelhar-se com a Esporotricose como, por exemplo, câncer, doenças auto-imunes ou outras tantas. Apesar do vizinho ou o amigo de internet olhar a foto do seu gato e disser: Minha Nossa! Isso é Esporotricose! Leve em um Médico Veterinário porque as lesões devem ser investigadas corretamente!

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Gato Macho com Lesão por Esporotricose em Mucosa Bulbar (olho) e Plano Nasal (focinho). O diagnóstico foi feito por citologia e não apenas pelos sintomas clínicos.
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Mesmo Gato da Foto anterior. Atenção! Leve em um Médico Veterinário, essa lesão poderia ser interpretada por um leigo como uma ferida "simples".
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Gato sendo tratado pela responsável por conta própria. O animal estava sendo medicado com a mesma dose do gato da vizinha. Primeiro erro: não tinha certeza se era Esporotricose. Segundo Erro: estava há 1 ano sendo medicado com a metade da dose da que seria necessário. Dois erros e uma consequencia: resistência e intolerância a medicação.
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Apos 1 mês de tratamento correto e acompanhamento laboratorial. Notem a pata traseira. Sim, melhorou e começou a ficar manhoso!

Feridas que não cicatrizam podem ser causadas por Esporotricose, mas qualquer lesão de pele deve ser avaliada por um Médico Veterinário. Não espere para ver o que acontece!

No Ambulatório, o Médico Veterinário irá esclarecer corretamente a melhor conduta a tomar. Cortar as unhas, higienização do ambiente, cuidados com a manipulação do animal e forma de administrar o medicamento e muitas outras.
Um dos dilemas da Esporotricose é a administração da medicação que poderá ser um momento de ansiedade para o Responsável. Porém, atualmente já temos a possibilidade de prescrever drogas na forma de pastas palatáveis e também o medicamento poderá ser adicionada a pequena quantidade de alimento para facilitar a administração sob a orientação expressa dos Médicos Veterinários.

Uma importante forma de prevenir os gatos de Esporotricose é mantê-los em casa seguros e protegidos. A Esterilização[1] é uma arma a favor do bem-estar dos gatos que permanecem mais tempo em casa diminuindo a chance de contato com gatos doentes e ambientes contaminados.

Este post não tem a intenção de descrever sintomas ou sugerir formas de avaliar as condutas profissionais. O alerta é voltado para a compreensão da responsabilidade na divulgação e utilização de informações sobre a Esporotricose e outras doenças de gatos. Afinal, não é preciso saber se é ou não porque QUALQUER LESÃO DEVE SER EXAMINADA PELO MÉDICO VETERINÁRIO SEMPRE!

Um forte abraço em todos e até a próxima, Gabriel Dias.

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3 Respostas to “Esporotricose em Gatos Domésticos: Não quero me desfazer do meu gato!”

  1. Kika - 4 patinhas 07/07/2011 às 6:09 pm #

    E de preferência um BOM veterinário, e não um desses que sente nojo ao ver uma ferida e manda logo eutanasiar o bichinho. Infelizmente está cheio deles por aí…

    A aplicação do remédio pra esporo pode ser bem facilitada se colocar o conteúdo da cápsula numa colher de patê, geralmente aceitam bem e diminui o risco da pessoa que dá o remédio ser mordida ou arranhada sem querer.

    • mbavaresco 07/07/2011 às 6:37 pm #

      Nada com anos e anos de prática né Kika???? Obrigada por contribuir!!!

  2. vanelopi 14/02/2013 às 2:05 pm #

    tive a doença e infelismente tive que sacrificar frajola e violeta todos os tres meses chorei sentindo fauta dela, nao queria de jeito nenhum fazer isso mas moro com minha vó de78 anos e meu avô de 69 anos para que os dois nao peguem a doença tive que fazer isso.Por favor se descidir sacrifiá-lo creme o corpo antes de jogar no lixo, pois se nao cremar pode pegr nas pessoas do lixao.Obrigada por me ouvir.

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