Gatos e Frustração

16 jun

via Medicina Veterinária para Gatos Domésticos / Veterinary Medicine For Domestic Cats de Carlos Gabriel Dias MV MSc PhD em 15/06/11

DSC08235.JPG
Vitrine com Artesanato de Gatos em Paris.

Existem mil motivos para os gatos serem individualmente o que são. Ninguém é igual a outro, no máximo, parecido. Já repassamos algumas situações que promovem a construção da identidade dos gatos como, por exemplo, genética, experiências ao longo da vida, forma como foram socializados e etc. Hoje, decidi escrever sobre algo que me parece uma novidade para muitos amantes de gatos. No consultório é fácil de explicar, mas muitos gateiros não conseguem aceitar de forma séria e produtiva. Entender e aceitar que alguns gatos não sabem lidar com a frustração é algo novo, surpreendente e curioso. Muitos problemas da esfera comportamental podem ser manejados se temos um entendimento correto dos seus deflagradores. Por isso a investigação cientifica é necessária principalmente para o universo comportamental. Assim, novos assuntos são sempre muito bem vindos. Hoje o assunto é sobre gatos que facilmente se frustram.

A frustração é não saber lidar com o resultado adverso ao esperado. Frustrar-se e lidar com isso de forma positiva leva-nos e aos animais também, a uma vida realística onde nem sempre teremos o que desejamos. Ter uma coisa, depois não ter, buscar essa mesma coisa e achá-la para depois deixar de ter. Os gatos vivem uma vida assim quando em vida livre: achar um alimento, uns gravetos para brincar e outras vezes não achar nada. Não ter impulsiona a querer ter. Ter tudo não impulsiona a querer ter. E o pior ( do que trata nosso post hoje): sempre ter tido, dificulta o entendimento de quando não tiver. É fácil lembrar-se de algum gato que não lida bem com novas experiências e outros gatos que se mudam de casa muito bem. Uma visita ao veterinário ou uma manipulação diária para um curativo ou medicação. Alguns gatos não sabem de fato lidar com um grande conflito/frustração. Entenderam? Bem, vamos explicar melhor. Quando os gatinhos estão com suas mães, recebem todo o alimento que precisam na primeira semana. A gata parida permanece com os gatinhos a maior parte do seu tempo na primeira e segunda semana após o parto. A partir da terceira semana, os gatinhos já solicitam a presença da mãe que poderá estar ausente, em busca de alimento ou urinando/defecando. Gradativamente os gatinhos percebem que existem diferentes intervalos entre a solicitação e a resposta. Outra experiência importante e cognitivamente saudável é que poderão a partir da quarta semana investir na mãe para desencadear a amamentação e serem impedidos pela recusa da mãe em amamentar (principalmente em ninhadas numerosas). Nem sempre tem tudo o que querem, na hora que querem. Atualmente, estamos procurando entender o porquê de alguns gatos exibirem alguns comportamentos indesejáveis como, por exemplo, agressividade, ansiedade de separação e comportamentos compulsivos mesmo sendo gatos que são manejados com muita atenção e cuidados. Após descartar os fatores que poderiam estar envolvidos no desencadeamento destes comportamentos, resta-nos um universo a ser explorado: de que forma esses gatos são tratados desde filhotes? Será que foram amamentados desde sempre e nunca experimentaram o estágio de “desmame” comportamental? Pesquisam indicam que filhotes órfãos que são alimentados desde filhotes parecem estar mais propensos a problemas ligados à frustração. Alguns gatos podem ter sido criados em um ambiente onde a gata não precisava ausentar-se e, assim, sempre que solicitada voltava ao ninho. Evitem conclusões do tipo: então excesso de amor é ruim? Maltratar de vez enquanto é bom? Nada disso! Dessa estória toda, o que podemos tirar conclusões coerentes é: um dia-a-dia enriquecido é o melhor (leiam outros posts sobre enriquecimento)! Brinquedos são excelentes para educar gatos para relacionarem-se bem com a frustração. A brincadeira nem sempre precisa ser finalizada com a “caça” do brinquedo. Quando você chegar em casa, gatos extremamente ansiosos e agitados, devem ser manipulados somente quando estiverem mais tranquilos e assim por diante. Até o potinho de ração pode ser mudado de lugar em casas onde somente um gatinho é mantido. O ideal é tentar tornar esses gatos mais independentes para aprenderem a tomar mais decisões. Mais uma vez, os brinquedos são ótimas ferramentas como, por exemplo, as brincadeiras que podem ser iniciadas pelos próprios gatos. Gateiros, nem toda explanação tem aplicação para todos os gatos. Assim como Espero que tenham gostado desde post filosófico felino! Até a próxima.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: